Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Quelimane
I feel:
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Carnaval em 1972
Quelimane, Carnaval de 2009
Foto de Mansir PetriePara mais fotos veja em: Carnaval de Quelimane 2009
Falta de chuva provoca violência
Os confrontos que resultam da falta de chuvas em algumas regiões costeiras da província da Zambézia, nomeadamente Quelimane, Nicoadala e Namacurra já produziram três mortos, doze feridos, cinco dos quais agentes da corporação policial e um elevado número de desalojados que continuam ainda ao relento.
As acusações de “amarrar chuva” em regiões como Quelimane, Maquival, Ionge, Namacata no distrito de Nicoadala e Macuse, Mixixine, Forquia, em Namacurra, não são novas, só que este ano a situação atingiu contornos criminais jamais vistos na história da província da Zambézia.
Se não chove é porque alguém “amarrou” a chuva e esse alguém só deve ser aquele que num momento de seca tem uma vida mais desafogada. Este é, pelo menos, o senso comum das pessoas entrevistadas pela nossa Reportagem em Mixixine, em Namacurra, Maquival e Zalala, em Nicoadala, Micajune e Namuinho, na cidade de Quelimane. Todas as vítimas ou acusados de prenderem a chuva são empreendedores que com sacrifício e trabalho abnegado, trabalhando debaixo do sol escaldante, brotando suor dos seus corpos procuraram melhorar as suas vidas e das suas famílias. Uns vendem aguardente de fabrico caseiro, transportada para Quelimane e no seu regresso levam de volta produtos como leite, bolachas, capulanas, óleo alimentar, entre outros, para revenderem nas suas bancas fixas. É assim que vão lutando de forma honesta pela vida, como é o caso de Henrique Manuel, em Mixixine, que viu as suas duas casas queimadas injustamente devido à fúria de populares que acusam-no de “prender” chuva só porque tem braços para trabalhar e cabeça para pensar.
Os nossos entrevistados alegam que Henrique Manuel tem amarrado a chuva como forma de os populares locais não terem recursos de sobrevivência e assim recorrerem aos seus produtos. Entendem ainda que assim ele fará sempre lucros fabulosos a custo do sofrimento de outros que nas suas machambas não têm água para cultivarem o arroz.
A percepção popular do assunto parece dogmática, pois não se pode questionar muito das provas que os declarantes têm para acusar terceiros. Quando a nossa Reportagem questionou Domingos Luciano, em Mixixine, este chegou a acusar a nossa Reportagem de estar “juntos” com aqueles que prendem a chuva. “Nós sabemos, porque nós somos daqui e conhecemos os malandros”, sentenciou o nosso entrevistado perante a ovação de outros que no momento do inquérito rodeavam o repórter.
Há neste momento uma crença bastante forte nas comunidades de que é possível que alguém dotado de poderes mágicos possa impedir a chuva. Esta maneira de pensar é própria de comunidades que continuam ainda amarradas ao obscurantismo e bruxaria. É como se essas comunidades não tivessem evoluído e continuam a pensar de uma forma arcaica.
17 Fevereiro 2009 12:24 Escrito por MAXIMUM CONSULT
Domingo, 18 de Janeiro de 2009
O Bibliotecário

Quelimane: o Bibliotecário
Foi durante muitos anos o Bibliotecário. Primeiro, numa sala sem grandes condições, num pequeno edifício de paredes amarelas muito perto da Câmara Municipal. Depois, talvez desde 1974, num edifício de arquitectura moderna.
Durante muitos anos, gerações de leitores conviveram com ele, o Bibliotecário – Guilhermino Gonçalves de Sousa. O último Bibliotecário de Quelimane, enquanto cidade portuguesa. O primeiro, e durante pelo menos dois anos, Bibliotecário de Quelimane enquanto cidade moçambicana.
Faleceu em, 08/12/17, cerca de uma semana depois de ter celebrado o 85º aniversário (08/12/08). Em Almeirim, em Portugal, onde se radicou. Depois de muitos anos a promover os livros, que gerações de quelimanenses leram…
Domingo, 11 de Janeiro de 2009
Serra da Morrumbala
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008
Linha de Mocuba - a agonia do metal
Linha de Caminho de Ferro de Quelimane para Mocuba
Arqueologia férrea. Aqui as automotoras usavam pneus de borracha.
Foto de autor desconhecido - retirada da net
No Chinde
Chinde - Foto da net, autor não identificado
MONTE BINGA - Casamentos tradicionais no Chinde
O distrito do Chinde fica situado na zona sul da província da Zambézia, limitando-se, a norte, pelo distrito de Inhassunge, a oeste pelo distrito de Mopeia, a este, pelo Oceano Índico e a sul, pelo distrito de Marromeu, em Sofala, através do rio Zambeze. A sua sede distrital, uma ilha encravada no delta do Zambeze, dista a cerca de 70 quilómetros a sul de Quelimane, a capital provincial da Zambézia.
Administrativamente, o distrito está dividido em três postos administrativos (Chinde, Micaune e Luabo), compostos pelas localidades de: Vila de Chinde, Matilde, Mucuandaia e Pambane, pertencentes ao Posto Administrativo-Sede, Luabo, Mangige, Nzama, Rovuma, Samora Machel e 25 de Setembro, ao Posto administrativo de Luabo e Arijuane, Magaza, Micaune, Mitange e Nhamatamanga, ao Posto Administrativo de Micaune.
A língua predominante é “maindo”, que é falada pela maioria da população do distrito, calculada em mais de 130 mil habitantes e que cobre os postos administrativos de Micaúne e sede distrital. Os habitantes do Posto Administrativo de Luabo, comunicam-se pela língua nacional Chissena.
Nas regiões de Sombo e Matilde, a sul da vila-sede do distrito e Maimba, em Micaune, a língua maindo começa a perder originalidade, admitindo a ocorrência de palavras da língua chissena. Essa língua que resulta da mistura de maindo com chissena, falada predominantemente a Este de Luabo, chama-se Podzo.
Na parte nortenha do Posto Administrativo de Micaune, ou seja as localidades de Mitange, Arijuane e Magaza, a língua maindo começa igualmente a sofrer alterações, sobretudo no sotaque, que começa a confundir-se com Chicarungo, falada em Inhassunge e que se assemelha a Chuabo, predominante na cidade de Quelimane e arredores.
Diferentemente da chamada “Alta Zambézia”, que compreende os distritos a norte da cidade de Quelimane falantes da língua lomuè, cujos casamentos são matrilineares, Chinde e outros distritos da Zambézia situados ao longo do Vale do Zambeze, perseguem o regime patrilinear, ou seja, o homem é quem manda em casa.
Neste distrito, a iniciativa do casamento pertence ao homem, a quem cabe a responsabilidade de propor o namoro, embora a mulher tenha pleno direito de sugerir as melhores modalidades a serem seguidas e os contornos pelos quais devem decorrer as diferentes etapas das cerimonias matrimoniais.
O casamento no distrito do Chinde inicia com o namoro, através do qual o homem apaixonado propõe a namorada para sua futura esposa. Este encontro, regra geral, decorre em locais de diversão nocturna, na sua maioria caracterizados por danças tradicionais, sendo a mais influente “Ibondo”.
Mais tarde, com a presença de aparelhagem musical trazida pelos chamados “madjonidjoni” ou seja, indivíduos que trabalham na África do Sul, a diversão nocturna poderia ocorrer nos chamados clubes nocturnos, onde decorriam os bailes localmente designados “Chinguere”.
Os clubes, também conhecidos por assembleias, eram feitos de material local precário, mais precisamente folhas de coqueiros e estacas de “micándala” ou outros paus extraídos em matagais e mangais, abundantes na região costeira do distrito. Normalmente eram construídos debaixo de árvores frondosas (mangueiras e cajueiros), para conferi-los a necessária escuridão, que era do interesse dos bailarinos, na sua maioria jovens.
Mais tarde e apesar da oposição dos jovens, foram usados petromaxes para iluminar os referidos locais de diversão nocturna. Nesses convívios, por causa da forma como as danças eram executadas, normalmente em pares de homens e mulheres assegurando-se pelas costas e nádegas, a semelhança do que acontece actualmente com as chamadas “passadas”, os dançarinos poderiam apaixonar-se e a partir daí desencadear uma relação amorosa que pode culminar em casamento.
Porem, nem tudo era uniforme. Alguns pares, mesmo aquelas que as danças os pudessem conduzir a inevitável atracção mutua, não chegavam a contrair matrimónio, terminando apenas no amantismo.
Outras das formas não menos usadas de namoro e que resistem aos imperativos das mudanças que o tempo impõe na mente, hábitos e costumes dos homens, consistem em os pais escolherem esposas e maridos para seus filhos e filhas.
Este método, por ser potencialmente compulsivo e retrógrado e, obviamente menos apreciado pelos jovens modernos, tende a desaparecer. Quanto menos, o que os pais e familiares em geral podem fazer para ajudar seus filhos e filhas na escolha de futuros genros ou noras, é identificar a pessoa e, por métodos subtis, propor ao interessado para análise e aprovação.
Este processo, porem, é de difícil aplicação para as meninas que não tem a liberdade de escolher, por iniciativa própria, os futuros esposos. Aliás, qualquer mulher que assim proceda, será recusada e poderá ser acusada de mil e uma coisas, incluindo feitiçaria, pois não é admitido, por tradição local e, por extensão, a algumas regiões do pais, mulheres proporem o namoro aos homens.
Se tiver iniciado o namoro, o rapaz e a rapariga, normalmente depois de se conhecerem sexualmente, combinam uma apresentação em casa dos pais da namorada, como forma de formalizar a intenção (perdoem e redundância). O rapaz, depois de informar a sua intenção aos seus pais, arranja um padrinho, usualmente mais velho que ele, conhecido por “sebueni”, para se deslocarem a casa dos pais da noiva, para a chamada cerimonia de apresentação designada “buhdueia”.
Para esta cerimónia que geralmente decorre a noite, entre 19.00 as 21.00 horas, o rapaz, acompanhado do seu “sebueni”, leva consigo cinco litros de “sura” - uma bebida alcoólica extraída a partir da seiva do coqueiro, e dinheiro numa importância equivalente a 50 meticais, ou escudos no tempo colonial.
A menina tem a obrigação de informar aos pais, por via da mãe, a intenção e o projecto amoroso em edificação. Nessa altura, a apaixonada aproveita anunciar a presença dos “hóspedes” para efeitos de apresentação. Caso os pais consintam, marca-se a data e o noivo aparece.
A chegada, a recepção da encomenda de “sura”, pelos parentes da namorada, é indicador que evidencia o consentimento dos pais face ao pedido da filha.
Desta feita, convidam-se os hóspedes para entrarem e se sentarem, normalmente dentro de casa, a luz de candeeiro, já que energia eléctrica pertence ao passado, com excepção da sede distrital.
A conversa inicia depois do jantar. Aqui, o pai, em representação da família e na presença da mãe e irmãos da “moça”, pergunta-a se conhece ou não o rapaz ora presente. Ela, regra geral, responde positivamente, pois a chegada do rapaz a casa dos futuros sogros tem sido de consenso mútuo dos namorados, sendo raras as vezes que a donzela pode surpreender o namorado com uma recusa.
Como prova de que tudo correu bem e que o rapaz foi aceite, vai-se buscar a “sura”, coloca-se nos copos e os familiares da rapariga partilham, após um brinde que começa com o pai a entornar, ao chão, um pouco da bebida para os espíritos. Nesta ocasião, mesmo sendo oferecido, o noivo deve recusar-se a beber, pois se o fizer, será conotado como bêbado e falta de respeito pelos mais velhos, e isto pode chegar a inviabilizar o projecto matrimonial.
* VICTOR MACHIRICA
Maputo, Sexta-Feira, 12 de Dezembro de 2008:: Notícias
Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008
N'UM VAL'PENA! - N'chuabo!
Hoje estou mais light. Não trago qualquer crítica social e do quotidiano. Ia ruminando um assunto para esta semana quando de repente deu-me um baque de saudade para com uma santa terra. Santa a terra e os seus simpáticos e solícitos habitantes: Quelimane. O chamado pequeno Brasil. Ainda hoje não sei bem por que lhe chamam “pequeno Brasil”. Há-de ser de certeza pela beleza das mulheres, pela propensão à diversão de arromba e, sobretudo, pelas espectaculares noites de Carnaval típico.
A riqueza cultural é espectacular. Eu gosto de Quelimane. Foi lá onde cresci e fiz amigos. E identifico-me com aquela cidade e gente.
Por isso estava em dívida. E como em qualquer caso de dívida o peso e remorso de consciência caem sobre nós. Vivi em Quelimane, para onde os meus pais foram transferidos nos longínquos anos 80, parte da minha infância e toda a juventude. Aliás, há quem nem acredite que não tenha nascido lá. Então como falar sobre uma terra, Quelimane, que me fez homem? Como falar de N´chuabos neste diminuto mas simpático espaço do N´um Val´Pena? Como falar da Escola Primária Vasco da Gama (como se chama hoje) e do simpático contínuo Sr. Moçambique, a quem subornávamos com mutxapaué (perguntem um n´tchuabo o que é mutxapaué) para tocar o sino um pouco mais tarde? Ainda assim, o velho Sr.
Moçambique, ainda a mastigar calmamente o mutxapaué objecto do suborno, traía-nos, tocava o sino e, de varreta à mão, nos mandava à sala de aulas, onde íamos encontrar a professora Argentina. Como era má?! Não vala pena! E do Ciclo! Que saudades. Dizem-me que hoje a escola dá pelo nome de Patrice Lumumba. Ali tínhamos que chegar o mais cedo possível para ter onde sentar e ainda assim esperar e rezar para que os musculosos arruaceiros irmãos angolanos não te tirassem a carteira. Onde estarão aqueles gajos durões angolanos? O Carlos Jossias, hoje na RTP, experimentou as manápulas daqueles tipos. Muitas vezes, porque era teimoso. E as aulas de português com o temível professor Jafar! Aquele indiano metia medo: não se ria nunca. Estava sempre sisudo e mal disposto. Mas dominava a gramática que era uma coisa incrível! Na altura contávamos todos os dias os sumários de cada disciplina porque à centésima lição tínhamos uma festança, muitas vezes impulsionadas pelo professor Frederico Costa, hoje exímio comunicador. Um abraço ao Costa.
Mas, definitivamente, a “25 de Setembro” foi a mais marcante. Desde a relação com os professores e funcionários, à entreajuda e ao orgulho de estar numa escola chamada “pré-universitária”. Desde os professores estrangeiros, cubanos, ingleses, russos, dinamarqueses, portugueses, à entrega voluntária dos Irmãos de fé da catedral nas aulas de Português e Biologia. Ah, já agora, o Irmão Reis, professor de Português, bonacheirão, redondinho e que se irritava facilmente, surpreendeu um dia desses o Carlos Crispim, na altura muito indisciplinado, hoje um funcionário bancário sénior e ( aparentemente ) sério, em cima de uma mesa a discursar. Na altura que o leigo entrou e porque estávamos todos distraídos e às gargalhadas, o Crispim estava mesmo a dizer que “o Irmão Reis tinha vindo de calções e camisa interior”. Estão a perceber como ficou o Irmão Reis? Vermelho que nem a popa de um tomate. Como castigo ficámos duas semanas sem aulas. Grande castigo! E os professores cubanos eram espectaculares.
Jogavam futebol aos sábados com o pessoal e não havia mesquinhice de aluno/professor, os gajos khenhavam muito e não raras vezes quase andávamos aos murros. Mário Lobo, um colega arruaceiro por tendência, fazia questão de estar na equipa contrária à dos cubanos. Só para ter o prazer de os khenhar.
Dia seguinte, uns mais lesionados que outros, não havia papo. Como me esquecer da bonita professora Rosa Maria, de Matemática, que quebrava os corações da malta. Era tão bonita e simpática que até gostávamos de Matemática. Vejam lá só! Ficávamos ali a suspirar e a imaginar coisas enquanto a professora dava aulas e nem dávamos pelo tempo. E até pedíamos aulas de “recuperação”. Com a professora Lucinda Trigo o cenário era o mesmo. Linda a professora. Sobretudo inteligente e comunicadora. As aulas de Educação Física eram autênticas maratonas de busca de saúde física. Silvestre Domingos era e é o ícone da cultura física em Quelimane. Malabarista nato. Julgava-se o James Naishmith da Zambézia. Com ele calcorreámos o país jogando básquete e fazendo delirar plateias com o nosso jogo-espectáculo.
As grandes noites de básquete e do Sabadão ali no Desportivo (dizem-me que hoje se chama Pavilhão do Benfica, recuso-me).
Das tardes dançantes na Casa de Cultura e do Carnaval é melhor nem falar.
Em Quelimane e com as suas simpáticas gentes ficou o meu coração, saudade e eterna amizade.
Ciao amigos!
Leonel Magaia
in, Jornal Notícias
“VERDES CAMPOS”: um sucesso feito pelos admiradores
“VERDES Campos” é um tema que fez tanto sucesso. Tem uma mensagem que ainda se aplica na actual realidade do país. Ainda há muita terra por trabalhar, muita gente por educar e sacrifícios, esses ainda são muitos que devem ser feitos para que se atinja o bem estar para os moçambicanos.
Mas o sucesso da canção, que parece vir do nada, não tem explicação nem para Pedro Machado nem para muitos que adoraram a canção em tempos. “Não sei dizer, sinceramente, o que terá acontecido exactamente com aquele disco. Os nossos admiradores na altura é que na verdade fizeram o sucesso talvez devido ao seu teor, a sua forte mensagem que levantava aquilo que eram os grandes desafios do país”, comenta. O tema que dá título ao único trabalho editado do 1º de Maio faz referência a necessidade de formar muitos moçambicanos, acabar a abertura de muitas estradas, cultivar muita terra, o que paulatinamente ainda está a ser feito. Deve ter sido pelo contexto em que o nosso país se encontrava que o Presidente Samora Machel escolheu a cação para lançar o IV Congresso da Frelimo. Samora cantou a música assobiando. Isso também ajudou o disco a tornar-se num dos melhores da altura. Recordando-se desse sucesso, Pedro Machado diz que “em quase todos os espectáculos em que actuávamos as pessoas pediam-nos ‘bis’. Para nós, foi bom porque éramos um conjunto que estava a nascer e tinha muita força. E éramos todos jovens. Animamos muitas noites de Quelimane e não só. Os admiradores é que fizeram de ‘Verdes Campos’ o sucesso musical que foi”. O conjunto do 1º de Maio durou apenas treze anos, divididos em duas fases. Foi fundado em 1980 da fusão de outros dois conjuntos de Quelimane, nomeadamente Continuadores e Cometa. A primeira fase compreendeu a gravação do seu LP “Verdes Campos” e o desaparecimento físico de alguns dos seus membros. Foi um momento muito triste para a banda, uma vez que o 1º de Maio já era de si uma grande família. A segunda fase do grupo, nos meados da década de 1980, é a de “coragem”. Segundo Pedro Machado, depois do mau período, seguiu-se a etapa da coragem, porque “levámos o barco a bom porto apesar das dificuldades que foram aparecendo”. “Há um ensinamento que o Biriba, o mais velho elemento do grupo nos deu: ‘sempre que aparecer uma tempestade temos que ganhar forças para continuarmos com o barco’. Nessa altura, os elementos do conjunto como Fernando, Ibraimo, Trigueiro, Litos e Armindo Salto avançaram no projecto de manter vivo o agrupamento. Não tínhamos aparelhagem e abordei a questão a Mário Machungo, então primeiro-ministro, numa das vezes que veio trabalhar a Quelimane e ele falou com o então Secretário do Estado das Pescas, Tenreiro de Almeida, para solucionar o problema. Dias depois recebemos uma aparelhagem novinha e completa vinda do Japão”, conta Machado. Mas porque não se pode viver de música em Moçambique, uma vez que ela “não dá quase nada senão o gosto de a produzir”, em 1993 não houve maneiras de como evitar que a banda se desfizesse. Os elementos do agrupamento, já maiores de idade, decidiram abraçar outras actividades na vida. “Todos estão empregados e os que não quiseram ter um patrão estão a fazer trabalhos a conta própria e estão bem sucedidos. O Carlos Sócrates tem um estúdio próprio em Lichinga depois de ter estado nos Massukos. Outros estão em Quelimane, Xai-Xai e na Beira”.
Apesar da distância que separa fisicamente os elementos da banda, eles mantêm periodicamente contactos e não se esquecem da terra que os viu nascer, Quelimane. Pedro Machado diz que há troca de informação sobre o que fazer para fazer renascer do conjunto.
in Jornal Notícias
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
Edilidade transforma estradas em talhões
Torna-me difícil entender se é incompetência, ou incapacidade ou fuga de responsabilidades ou então algo similar que torna complicadol atribuir adjectivação possível sobretudo quando se trata de um órgão municipal cujo timoneiro foi reconduzido para mais cinco anos afrente dos destinos dos Quelimanenses.
Ora vejamos, a estrada Heróis de Libertação Nacional entre o chamado jardim dos namorados na sagrada família até nos chamados três prédios sujos, ali onde começa a rua Lurdes Mutola antes de chegar no cruzamentos dos capuchinhos encontra-se seriamente fustigada por erosão que a qualquer altura pode engolir em definitivo a estrada. E este factor associa-se ao facto que passou para normal o de buracos na cidade de Quelimane. Curiosamente ao que me deixa espantado é que ao envés de procurar soluções para mitigar os efeitos decorrentes da erosão a edilidade simplificou a situação tendo decidido fazer de sentido único apenas para quem entra na cidade, não se sabendo em casos de acelerar a erosão se será ou não cancelada. Estão bastante prejudicados os moradores das duas margens da estrada que devem fazer uma grande volta para chegar as suas casas. E isto acontece numa altura em que o forte da campanha eleitoral do sucessor da sua sucessão Pio Matos tinha como o seu forte o melhoramento das estradas, algo incongruente.
E quem fala da avenida heróis de Libertação Nacional fala da já extinta rua Emília Daússe que partia nas proximidades da Mozauto para a parte traseira da Casa Cultura onde igualmente foi fechada a rua que partia do bar far west passando pela casa paroquial da catedral, fala igualmente do já recente caso do encerramento do prolongamento da rua 1 055 que passa pelo bairro Kansa. As três ruas encerradas que de certo modo mudaram o figurino da cidade foram transformadas em talhões e já estão em marcha construções de raiz de grandes habitações de considerados homens de costas quentes.
Rosário dos Santos
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
Macuse
Autor desconhecido, retirada da net
Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008
Mcel
Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008
Quelimane: Reabilitação de estradas
Quelimane: Reabilitação de estradas custa 22 milhões de dólares
A REABILITAÇÂO dos cinquenta quilómetros de estradas que constituem a rede viária da Cidade de Quelimane vai custar ao Governo 22 milhões de dólares norte-americanos. As obras de reabilitação arrancam no próximo mês de Setembro e serão executadas de forma faseada para permitir a realização de um trabalho de qualidade, devido à especificidade da urbe que se localiza numa região com baixo nível freático.
A Primeira-Ministra, Luísa Diogo, que quarta-feira iniciou uma visita de trabalho de três dias à província da Zambézia garantiu que o Governo tem dinheiro disponível e o concurso público para a reabilitação de mais de vinte e duas estradas será lançado dentro de poucos dias.
Para além daquele valor, Luísa Diogo, afirmou que há um outro fundo de seis milhões de meticais de receitas próprias para intervenções pontuais que serão feita pelo Conselho Municipal da Cidade de Quelimane. O fundo de estradas que Quelimane tem é maior em relação à capacidade que a edilidade tem de colecta de receitas para fazer uma intervenção consistente, daí que as obras foram entregue à Administração Nacional de Quelimane que fez o desenho e projecção para a reabilitação da rede viária da capital provincial da Zambézia.
Os trabalhos de reabilitação das estradas de Quelimane consistirão na drenagem, protecção das bermas, sistema de esgotos, pavimentação, colocação da sinalização entre outras intervenções de vulto, com vista a mudar a actual fase daquelas estradas que estão num avançado estado de degração. Numa primeira fase, serão contemplados vinte e cinco quilómetros que se irão beneficiar de uma reabilitação completa.
A Primeira-Ministra acredita que Quelimane vai ter boas estradas como resultado desta projectada reabilitação. Desde que Quelimane foi construída nunca sofreu de obras de grande vulto em termos de reabilitação de estradas e o sistema de escoamento de águas fluviais. A tubagem adutora ficou entupido e agora está a ser alvo de reabilitação como forma de escoar rapidamente as águas.
Entretanto, Luísa Diogo reconheceu que Quelimane tem problemas de infra-estruturas mas o Governo está a criar condições para melhorar a vida dos cidadãos. O sistema de abastecimento de água está completamente reabilitado e já abastece água aos munícipes durante vinte e quatro horas por dia para além de aumentar a capacidade para 10 mil litros cúbicos. Desta quantidade de água é distribuída à cidade uma média diária de 8 mil metros cúbicos de água, ficando uma reserva de 2 mil.
Entretanto, Luísa Diogo, reconheceu que o Governo moçambicano foi infeliz na seleccção da empreitada para a reabilitação da estrada Namacurra/rio Ligonha. Os trabalhos ficaram com a empresa portuguesa Tâmega que para além daquele troço ficou com as obras de reconstrução da ponte sobre o rio Lugela e Mocuba. As obras para além de estarem atrasadas a sua qualidade é duvidosa. “A empresa tem vindo a apresentar muitos problemas e isto nunca aconteceu pelo menos em Moçambique sempre que a Tâmega fez bom trabalho; a partir deste exemplo, temos tido muita cautela na contratação de empreitadas”, disse. Luísa Diogo para além de Quelimane irá escalar a cidade de Guruè.
Quinta-feira, 31 de Julho de 2008
PIO MATOS, EDIL DE QUELIMANE

Vila São Martinho foi nome antigo da cidade que hoje se chama Quelimane. Localiza-se na média Zambézia e ocupa uma superfície total de 170 quilómetros quadrados e conta com 192 872 habitantes, segundo o último censo geral populacional. O número de habitantes não cresceu muito, passou de 170 mil em 1997 para 192 872 pessoas, mas as necessidades em termos de condições para melhorar a vida dos munícipes cresceram muito, o que levou a administração municipal presidida por Pio Matos a redobrar esforços para cumprir satisfatoriamente no seu manifesto eleitoral.
O parque industrial, que seria uma das principais fontes para a colecta de receitas, está praticamente obsoleto e inoperacional. O turismo está moribundo, carecendo de investimento e formação do pessoal para melhorar os níveis de prestação de serviços. Há espaços subaproveitados, nomeadamente, Chuabo Dembe, que estão à espera de investidores que se atrevam a “enterrar” o seu dinheiro para depois recuperarem os seus investimentos.
Há falta de imaginação no sector privado em tornar Quelimane uma cidade mais atractiva em termos de turismo e oportunidades de negócios, embora se reconheça que muitos dos empresários enfrentam o problema de acesso ao crédito.
Das promessas feitas ao eleitorado durante a campanha eleitoral para a presidência deste município, apenas falhou a reabilitação das estradas urbanas que continuam uma “dor de cabeça”, embora notem-se nos últimos três meses esforços visando a reabilitação completa das vias, o que poderá acontecer a partir de Setembro deste ano.
MAIS ÁGUA E ENERGIA
O Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane, Pio Matos, afirma que o balanço da sua administração municipal é positivo, porquanto a promessa feita de levar água de qualidade, energia, melhorar os acessos às unidades residenciais e o saneamento a todos os bairros foi cumprida.
A cidade de Quelimane conta com um novo sistema de abastecimento de água que foi estendido a todos os bairros, o que veio reforçar o anterior que era incapaz de satisfazer as necessidades. Os prédios passaram a dispor de mais água. A rede distribui por dia oito mil litros cúbicos e tem uma reserva de dois mil, o que duplicou a quantidade de água distribuída em relação ao primeiro mandato. Um total de duas mil e quinhentas famílias pobres teve acesso à água através da instalação de fontanários grátis. A água vai chegar à praia de salada assim que estiver concluída a construção de um novo centro de distribuição no bairro Sampane. Através das 4235 novas ligações feitas, o índice de cobertura de água potável está neste momento em mais de oitenta e um por cento.
No que diz respeito a rede de energia, esta foi melhorada e expandida para todos os bairros, excepto Ivagalane e Gogone, que ficaram para a outra fase de expansão. A cidade, os bairros e muitas unidades residenciais estão já iluminadas com a energia da Hidroeléctrica de Cahora Bassa.
Pio Matos reconhece, no entanto, que, apesar dos bairros terem agora água e luz durante vinte e quatro horas isso não significa nem tão pouco que todos os problemas foram resolvidos. A preocupação do edil está no deplorável estado das estradas urbanas, mas afirma que o problema do sistema de drenagem que era o principal constrangimento para a reabilitação dos cinquenta quilómetros da rede viária de Quelimane está a ser resolvido com intervenções, ainda que parciais. O que se pretende para as estradas urbanas da cidade de Quelimane é uma intervenção com recurso a técnicas apropriadas para evitar a degradação em menos tempo.
No ano passado, foram investidos 40 milhões de meticais, mas em pouco tempo as estradas voltaram a degradar-se em face falta de reabilitação do sistema de drenagem. “Não podíamos continuar a despender recursos para esse tipo de intervenções, tivemos que desviar os recursos para as estradas peri-urbanas através de ensaibramento de algumas vias e hoje a transitabilidade melhorou muito, incluindo nas estradas que tinham sumido do mapa da nossa rede viária”, disse..
Durante este mandato, houve intervenções de vulto no saneamento, construção de infra-estruturas sociais, como escolas, unidades sanitárias, jardins, entre outros. A rede viária terraplenada da cidade de Quelimane ronda os oitenta quilómetros, mercê da abertura de novas rotas e recuperação de outras que tinham sido esquecidas. Actualmente, já se pode circular de viatura de um bairro para outro sem grandes problemas mas há que resolver os problemas da estrutura das pontecas.
ESTRADAS: A DOR DE CABEÇA
O Governo Central alocou ao Conselho Municipal da Cidade de Quelimane (CMCQ) um milhão de dólares para a reabilitação de estradas, incluindo pequenas intervenções no sistema de drenagem. O sistema de drenagem está a ser reabilitado através de pequenas obras, e as estradas serão mexidas a partir de Setembro próximo. Pio Matos afirma que o sistema de drenagem e as estradas urbanas constituíram dois dos grandes constrangimentos da sua governação. Diz, no entanto, que as obras de reabilitação que iniciam em Setembro, consistindo na pavimentação, sinalização e melhoramento da drenagem em pontos críticos, poderão resolver o problema assim que estiverem concluídos as obras no próximo ano.
Aliás, os munícipes entrevistados pela nossa Reportagem para avaliarem o desempenho da edilidade foram unãnimes em afirmar que o único problema são as estradas urbanas. Afonso Singano, professor, disse que o estado deplorável em que as estradas se encontram retira estética à cidade de Quelimane.
Outro munícipe que falou à nossa Reportagem foi Manuel Botão, que diz que o trabalho do município na criação de condições de água, luz, recolha e tratamento de resíduos sólidos é visível aos olhos de todos, mas o problema fundamental está na degradação das estradas. Explica que “as pessoas que têm viaturas passam muito mal e, para se dirigirem aos seus destinos, têm que escolher os troços menos maus e isso não é bom para uma cidade como Quelimane. Entretanto, com o melhoramento do sistema de drenagem da zona urbana, muitos problemas poderão surgir nos bairros, sobretudo onde as valas de drenagem, tanto fechadas como aberta foram obstruídas para a construção de casas. O edil de Quelimane afirma que essas construções são ilegais e serão demolidas sem nenhuma compensação por forma a facilitar o escoamento das águas fluviais e negras para os rios.
RECEITAS INSUFICIENTES
São vários os problemas por resolver mas os recursos para isso são poucos e nunca foram suficientes. Foi assim que o edil de Quelimane começou por falar da saúde financeira da sua instituição. Pio Matos avançou que o mais importante no processo de planificação é poder trabalhar fazendo o melhor possível à medida dos recursos financeiros disponíveis. Entretanto, o edil afirma que o município de Quelimane é economicamente activo, mercê do cumprimento pelos munícipes das suas obrigações tributárias. Por outro lado, o Governo central tem vindo a alocar fundos para o seu funcionamento e investimento. Todavia, o Presidente da edilidade reconhece que, apesar do reforço do controlo, há desvio de fundos no município.
Há funcionários que já foram detidos em conexão com estes desvios. As receitas próprias rondam os 600 mil meticais por mês. Para além disso, há o fundo de compensação autárquica anual orçada em 15 milhões de meticais, e que se junta a um outro fundo de investimentos que é de sete milhões de meticais anuais.
Olhando para estes fundos há muitas infra-estruturas construídas, mas o maior problema reside nas estradas que precisam de outro tipo de investimentos que, entretanto, ultrapassa a capacidade dos órgãos locais.
Os seus parceiros têm vindo igualmente a investir em programas sociais, como a construção de escolas, unidades sanitárias, mercados para aumentar a capacidade de colecta de receitas e intervêm no saneamento nos bairros. “Para cada tipo de problema era preciso procurar os devidos recursos e não olhar pala a fasquia ideal para ter todos os problemas resolvidos”, disse Pio Matos
A fonte entende que para Quelimane se desenvolver será necessário que Nicoadala atinja outros patamares de desenvolvimento para aliviar a pressão que a capital provincial está a sofrer. “Quelimane está a sofre pressão por causa das escolas, os estudantes de Nicoadala, Inhassunge, Mopeia, Chinde, Maganja da Costa e Namacurra todos vêm para aqui onde estão a escolas”, disse a fonte, para quem aqueles distritos devem criar infra-estruturas para atender as necessidades sociais das populações locais.
Os serviços básicos como água e energia já estão criados nas novas zonas de expansão. O edil afirma que, antes das construções, o seu elenco antecipou-se eu criar estes serviços por forma que cidadãos que forem atribuídos talhões não passem por grandes dificuldades. As novas zonas de expansão são Sampene, Sangariveira, Namuinho e até a praia de Zalala e Nicoadala. “O território de Quelimane não chega até lá em parceria com o Governo de Nicoadala poderemos encontrar uma saída”, disse a fonte.
Jocas Achar
Domingo, 27 de Julho de 2008
Subsídios para a história da Zambézia
Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Quelimane

Ex-Liceu Azevedo Coutinho
Actual Escola Pré Universitária 25 de Setembro
Terça-feira, 3 de Junho de 2008
Quelimane, barbearia

O velho Celestino só queria umas tesouras novas.
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Viagens na minha terra.
O Taborda e o seu Pelo Leste do Sul de África mostra aqui a nossa terra em Maio de 2008